Os sistemas de desidratação por glicol são essenciais no processamento de gás natural. Eles garantem que o gás atenda às especificações de qualidade para transporte em gasodutos, removendo a umidade antes da compressão e distribuição.
Mas o que acontece quando a filtração é negligenciada ou mal aplicada?
Simples: todo o processo de desidratação sofre.
Espuma, corrosão, falhas mecânicas, sobrecarga térmica e má qualidade do gás são apenas algumas das consequências. A seguir, exploramos os impactos da má filtração e o papel crítico dos filtros no bom funcionamento do ciclo de glicol.
? Os Riscos do Glicol Contaminado
Quando o glicol entra em contato com sólidos e hidrocarbonetos líquidos — e esses contaminantes não são removidos — os problemas surgem rapidamente:
1. Formação de Espuma por Contaminação com Hidrocarbonetos
Mesmo pequenas quantidades de hidrocarbonetos líquidos (como condensado ou névoa de óleo lubrificante) fazem o glicol espumar.
- Arraste de glicol (carryover)
- Perda de fluido no sistema
- Contaminação do gás a jusante
2. Falhas Mecânicas por Sólidos
Sólidos presentes no glicol — como sulfetos de ferro, produtos de corrosão e detritos da tubulação — provocam:
- Desgaste em bombas e selos mecânicos
- Entupimento de válvulas e orifícios de controle
- Bloqueio de pratos e bocais da torre de contato
- Paradas para limpeza manual em casos severos
3. Remoção de Água Ineficiente
O glicol contaminado perde eficiência na absorção da água. Isso resulta em:
- Ponto de saturação mais alto
- Menor depressão do ponto de orvalho
- Gás fora de especificação
4. Sobre-aquecimento e “Cozimento” do Glicol
O reboiler precisa trabalhar com temperaturas mais altas para regenerar glicol contaminado, o que leva a:
- Degradação térmica do fluido
- Formação de borras e sólidos
- Alteração do pH
- Aceleração da degradação geral do sistema
5. Aumento no Consumo de Energia
Se está difícil alcançar os níveis de remoção de água exigidos, é provável que o reboiler esteja compensando a má filtração — e isso custa caro.
- Maior consumo de energia ou combustível
- Baixa eficiência operacional
6. Danos aos Filtros por Temperaturas Elevadas
Cartuchos filtrantes possuem limites térmicos:
- Polipropileno: até ~82°C
- Poliéster: até ~115°C
Com sobreaquecimento contínuo, os filtros podem deformar, falhar ou liberar contaminantes de volta no sistema.
? O Papel da Filtração no Sistema de Glicol
✅ 1. Filtro Coalescedor de Gás Natural (Proteção Inicial)
Este é o filtro mais importante do sistema. Ele evita que aerossóis de hidrocarbonetos e sólidos entrem no circuito de glicol.
Especificações recomendadas:
- Coalescedor de fluxo reverso (de dentro para fora)
- Classificação absoluta de 0,3 micra
- Alta eficiência para líquidos de baixa tensão superficial (ex.: óleo de compressor)
✅ 2. Filtro de Carvão Ativado (Remoção de Hidrocarbonetos)
Mesmo com o coalescedor, traços de hidrocarbonetos podem passar. Apenas o carvão ativado remove essas impurezas por adsorção.
Tipos comuns:
- Granulado (GAC): Alta área superficial, mas exige pós-filtro
- Bloco de Carvão: Estrutura sólida, dispensa pós-filtragem
✅ 3. Pré-Filtros para Filtros de Carvão (Remoção de Sólidos)
Esses filtros protegem a cama de carvão contra entupimento.
- Recomenda-se filtro de 5 micra (tipo bolsa ou cartucho)
- A maioria dos sólidos no glicol tem entre 3 e 7 micras
✅ 4. Pós-Filtros para Sistemas com Carvão Granulado
Se você usa carvão ativado granulado, é essencial adicionar um pós-filtro para evitar que partículas contaminem o glicol.
? Problemas Comuns em Sistemas Mal Filtrados
- Espuma na torre de contato: Contaminação por hidrocarbonetos; falta de coalescedor ou carvão
- Perda de glicol: Arraste causado por espuma ou sobrecarga da torre
- Remoção de água ruim: Glicol contaminado ou degradado
- Temperatura alta no reboiler: Fluido exige mais calor para regeneração
- Danos em bombas e selos: Sólidos no circuito de glicol; filtragem insuficiente
- Obstrução de pratos: Partículas bloqueando os bocais
- Glicol ácido (pH < 6): Degradação térmica ou oxidativa
? Conclusão
Se o seu sistema de glicol está com problemas recorrentes, não culpe apenas o fluido — avalie o sistema de filtração.
É comum encontrarmos plantas operando sem:
- Filtro coalescedor no gás antes do contato com o glicol
- Filtro de carvão ativado para remoção de hidrocarbonetos
- Pré e pós-filtros adequados para proteger os elementos principais
O resultado? Glicol sujo, ácido, superaquecido e ineficiente — e um sistema que está sempre apagando incêndios em vez de operar com estabilidade.
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